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Em meados dos anos 60, parecia lógico qual seria o próximo passo no transporte aéreo – o avião comercial supersônico. Sem declarações formais, dos dois lados do Atlântico iniciou-se uma ferrenha luta para ver quem seria o pioneiro e, desta vez, a URSS resolveu participar. Afinal, o avião comercial supersônico não representava apenas uma conquista de mercado – era o testemunho da capacidade de um país, uma vitória da tecnologia da nação.
Logo de início, a Boeing propôs a solução mais radical – um imenso supersônico de asas de geometria variável, o Model 2707-100, que voaria a 2.900km/h transportando mais de 300 passageiros. Estudos de mercado, porém, mostraram que a demanda era de uma aeronave menor, de 250 lugares e as pesquisas provaram que o uso de asas de geometria variável iria impor um peso extra que comprometeria muito a performance supersônica. Assim, a Boeing reviu seu projeto, apresentando em janeiro de 1969 uma nova proposta, o 2707-300 – que tinha as asas e estabilizadores horizontais em delta.
Nestas alturas, entretanto, o orgulho norte-americano já sofrera um feroz golpe, o pior de todos – em 31 de dezembro de 1968, os soviéticos assumiram a liderança tecnológica da aviação civil, realizando o primeiro vôo do primeiro avião comercial supersônico do mundo, o Tupolev Tu-144.
Trabalhando juntas, porém, a francesa Aerospatiale e a britânica British Aerospace também conseguiram bater os norte-americanos – em 2 de março de 1969 realizava seu primeiro vôo o primeiro avião comercial supersônico ocidental, o Concorde.
O golpe final contra o supersônico norte-americano veio logo depois. Grupos organizados de ambientalistas iniciaram protestos contra supersônicos comerciais, que acreditavam iriam piorar em muito a poluição atmosférica. Muitos políticos passaram então a ser “anti-supersônico”, pela pressão dos votos ambientalistas e também por não acreditarem que o governo federal deveria investir no projeto de um avião comercial. Dizia-se que, se o supersônico da Boeing não era viável apenas com investimentos privados, não havia motivo de viabilizá-lo às custas do dinheiro do contribuinte. Assim, em 24 de maio de 1971 o congresso norte-americano cancelou qualquer verba para o desenvolvimento do novo avião.
Quase imediatamente a Boeing cancelou definitivamente o Model 2707.
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